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O Lugar à Porta

O Lugar à Porta

Um dos grandes síndromes dos automobilistas portugueses, o lugar à porta, é também a principal relação causa-efeito do entupimento das nossas cidades.

A começar pela azáfama de deixar as crianças nos colégios, ficamos com a sensação de que se trata de instituições de ensino especial, para alunos com mobilidade limitada. Para qualquer um destes pais, é impensável estacionar a viatura a 200 ou 300 metros da porta e fazer o restante a pé, criando assim um aglomerado anárquico de viaturas que vão progressivamente dificultando a entrada e saída umas das outras, e o trânsito em geral, impedindo quem realmente precisa de usufruir deste direito – alunos ou docentes com mobilidade reduzida, por exemplo –, e ajudando assim a criar uma geração de crianças anormais, que passam directamente do computador para a cama, da cama para o carro, e do carro para o telemóvel, sem saberem o que é a locomoção própria antes de atingirem a maioridade, visto os pais terem medo que os pequenos andem na rua, pois podem ser atropelados por outros iguais a eles.

Seguem-se as estações e apeadeiros, em que mais uma vez é imprescindível “apanhar” ou deixar as pessoas exactamente à porta. Mesmo sabendo que para tal correm o risco de ficarem presos ou prenderem o trânsito e assim demorarem mais. Mas à porta é à porta, ponto final. Lugar de estatuto e dos privilegiados.

O que seria de mim se me vissem a deixar alguém a 100 metros da porta ou a caminhar para o mesmo destino. Nunca, só de carro, exactamente até à porta. Somos todos motoristas competentes ou patrões.

Há algum tempo, a trabalho na Dinamarca, numa daquelas empresas estúpidas, nórdicas, em que as pessoas trabalham efectivamente 8 horas, e onde fazer horas extra é sinónimo de incompetência e não de dedicação, qual não foi o meu espanto quando cheguei e vi o estacionamento da empresa com os lugares perto da entrada vazios e os mais distantes ocupados. É que as pessoas quando chegam ao trabalho (a horas), estacionam mais longe, deixando os lugares perto da porta para quem precisa: os que têm mais dificuldades de locomoção, ou os que chegam atrasados.

Vá-se lá perceber esta gente.

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