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É da idade…

É da idade…

É da idade, dizem….

E se é da idade, ainda bem. Que continue a ser assim.

Com todo o meu “background” gastronómico, culinário e de viajante, sei bem onde gosto de fazer as minhas refeições quando as faço fora de casa. É exactamente onde todos (ou quase todos) gostamos.

Naqueles cantinhos tradicionais onde a matéria-prima é confeccionada no seu estado mais puro, limpo e tradicional e a confecção idem.

Nos nossos tascos, nos verdadeiros.

Num dos meus favoritos, cujo nome e localização me recuso a partilhar por razões óbvias, da última vez que lá fui, ontem, continua tudo igual, graças a Deus.

O vinho, servido na malga, apenas nos perguntam se queremos do novo ou do velho, o pão, que acabou na nossa primeira rodada, “esperem um pouco que se foi buscar”, a broa de milho e o de centeio, que estavam em casa para as refeições do dia seguinte. (demorou 10 minutos, pois “a casa” deve ser no piso de cima), o presunto, confesso que não era o melhor, pois este ano esteve muito calor e ainda não se fizeram as matanças. A chouriça e a alheira assadas vieram no fim, pois esquecemo-nos de as pedir, tivemos eu as comer já sem fome, só providos da gula que os nossos olhos e narizes nos permitiram.O caldo verde, o primeiro a ser servido, até podia não estar grande coisa, mas soube ao melhor do mundo, tal o frio e a fome com que entrámos no estabelecimento.As moelas, nada a apontar, boas como de costume. As pataniscas têm um leve travo adocicado, acho que as fazem com farinha de milho.

O ex-líbris e a verdadeira razão que me leva ali, as costelinhas em vinha d’alhos (verde tinto), já só havia dose e meia, que ali conta como ½ dose. Acho que só as vi passar, quase não me lembro de as saborear.

As restantes iguarias recuso-me a enunciá-las, deixo ao vosso critério e imaginação.

Quando achei que tinha terminado, alguém se lembrou, ou viu, uma travessa de rabanadas e lá veio para a mesa. Ainda estavam quentes…desapareceram em 2 minutos. Eu que sou um finório e não aprecio muito a canela, tive que me contentar com um pratito de marmelada caseira e queijo de cabra.

Cafezito para quem toma e a conta. Essa, desprovida de tudo, IVAs, IRS, IRCS , ASAEs e afins. Se o produto vem da horta e do quintal, dos vizinhos e conhecidos, provavelmente sem grandes transacções que envolvam dinheiro e a cozinha é logo ali atrás do balcão naquele cantinho enegrecido e impregnado de gordura, e os funcionários são a família, é melhor não pensarmos nesses detalhes, ainda nos podem estragar a refeição.

Éramos dez, convidei-os e paguei tudo. Ontem fui um “mãos largas”, acho que apenas a Ana é que já conhecia o tasco, esteve lá comigo no ano passado mais ou menos por esta altura.

Deve ser da idade, mas não me lembro de dar tanto valor e gostar tanto disto como agora.

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