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Paparazzi

Paparazzi

Faro, Junho 2002

Alguém se lembrou de fazer uma rave nas antigas instalações do hipermercado e chamar-lhe “evento” de forma a angariar o apoio da Câmara Municipal. Era o início da silly season daquele ano. E lá nos chamaram para um suposto desfile, a nós e à imprensa.

No mundo da moda as pessoas são bastante voláteis, é a moda. Para mim, que já levo 30 anitos disto, as pessoas com quem convivo mais regularmente e há mais tempo são da imprensa. Muitos considero-os como amigos e tratamo-nos como tal. Como eu, existem muitos outros “cromos” nacionais que partilham esta situação, o que por vezes dificulta e torna o trabalho da imprensa cor-de-rosa um pouco ingrato.

Nesta ocasião específica, a certa altura dei por mim, já bastante animado, a dançar em cima do palco/passerelle com três animadoras. Daquelas que usam roupas curtas e realmente animam o pessoal. Eis que, já eu ia lançado numa performance artística espontânea, com as ditas, completamente absorto a tudo o que se passava em meu redor, quando olhei para os meus colegas e vi as suas caras!

No meio daquele barulho e confusão, faziam gestos de negação e para parar, e os seus olhares estavam de tal maneira estarrecidos que, quando me apercebi, já era tarde. Toda a imprensa presente estava deleitada a fotografar e gravar aquele momento para a posteridade.

Meio atordoado com tudo aquilo, percebi a gravidade da situação e fui-me afastando de fininho, como se isso resolvesse alguma coisa.

Durante os meses seguintes e até ao final do verão, estive sempre à espera da bomba! Quando alguém dizia “vi-te numa revista!” ou “vi-te na televisão!”, eu encolhia os dedos dos pés e lá ia tentar perceber do que se tratava, sempre à espera do pior.

Mas tal não aconteceu. E, bem lá no final do verão, através de um amigo, veio-me parar às mãos um envelope cheio de fotos. Disse-me que lhe tinham entregado aquilo para mim, há imenso tempo, mas que se tinha esquecido.

Eram as tais. Ainda as guardo para recordação.

A internet e os telemóveis não eram o que são hoje. As amizades sim, continuam.

 

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